cover
Tocando Agora:

Calor acumulado nos oceanos atinge maior nível já registrado, aponta observatório europeu

Oceanos absorveram calor equivalente a 40 vezes o consumo mundial em 2025. Pexels A quantidade de calor acumulada nos oceanos atingiu em 2025 o maior nível já...

Calor acumulado nos oceanos atinge maior nível já registrado, aponta observatório europeu
Calor acumulado nos oceanos atinge maior nível já registrado, aponta observatório europeu (Foto: Reprodução)

Oceanos absorveram calor equivalente a 40 vezes o consumo mundial em 2025. Pexels A quantidade de calor acumulada nos oceanos atingiu em 2025 o maior nível já registrado, segundo um novo relatório do serviço marinho do observatório europeu Copernicus. Só no ano passado, a quantidade adicional de energia armazenada na água foi de 23 zettajoules — o equivalente a cerca de 40 vezes toda a energia consumida no mundo em 2025. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia E o levantamento mostra também que esse acúmulo de calor vem acelerando desde 1960. Ao mesmo tempo, o nível médio dos oceanos sobe cada vez mais rápido e a água do mar ficou mais ácida nas últimas décadas. O resultado é considerado um dos principais sinais das mudanças de longo prazo que já estão ocorrendo nos mares. 🌊 ENTENDA: Oceanos mais quentes afetam ecossistemas, contribuem para a elevação do nível do mar e podem aumentar os impactos sentidos por comunidades costeiras. Os dados fazem parte da décima edição de um levantamento anual que acompanha as principais mudanças nos oceanos do planeta. A análise reúne informações de satélites, medições feitas diretamente no mar e modelos científicos, com a participação de 125 pesquisadores de diferentes países. “O aquecimento e outras mudanças no oceano têm impactos amplos sobre as pessoas e o planeta, incluindo a elevação do nível do mar, alterações nos padrões do tempo e ameaças aos ecossistemas marinhos”, afirmou Celeste Saulo, secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), em um comunicado. "Ao monitorar e compreender o oceano, e tornar esse conhecimento acessível, damos às sociedades as informações de que precisam para antecipar riscos, reforçar a resiliência e construir um futuro mais seguro para todos." LEIA TAMBÉM: Astronauta da Nasa flagra fenômeno luminoso raro durante tempestade vista do espaço; entenda Em fenômeno inédito, cientistas descobrem planeta que acelera sua própria destruição; entenda O teste de DNA em osso que pode reescrever a história do Egito antigo Agora no g1 O calor citado no relatório não se refere apenas à temperatura da superfície do mar, aquela medida mais próxima da atmosfera e usada com frequência para acompanhar ondas de calor marinhas. Os cientistas também calculam quanta energia fica armazenada nas camadas do oceano. Essa medida ajuda a enxergar mudanças mais profundas e persistentes, que podem não aparecer quando se observa apenas a superfície. E esse calor acumulado pode contribuir para a elevação do nível do mar e afetar ecossistemas marinhos e regiões costeiras. Entre 1999 e 2025, o nível médio global dos oceanos subiu 3,8 milímetros por ano. No período mais recente, de 2012 a 2025, a taxa chegou a 4,2 milímetros por ano, indicando uma aceleração. O relatório aponta ainda que os oceanos ficaram cerca de 17% mais ácidos entre 1985 e 2025. Isso acontece porque o mar absorve parte do dióxido de carbono presente na atmosfera, o que altera a composição química da água. LEIA TAMBÉM: Espécie achada em esterco de gado pode explicar a origem do 'cogumelo mágico' mais cultivado do mundo Cientistas encontram fóssil de tiranossauro gigante que pode ser parente antigo do T. rex Estudos sugerem que o Sol 'fugiu' do centro da Via Láctea junto com estrelas gêmeas O sol nasce sobre barcos de pesca no Oceano Atlântico, em 8 de setembro de 2022, perto de Kennebunkport, no Maine (EUA). AP Photo/Robert F. Bukaty, File Calor não fica só na superfície Um dos exemplos destacados pelos pesquisadores ocorreu no Mediterrâneo e no Mar Negro em 2024. Naquele ano, algumas ondas de calor marinhas duraram mais de 30 dias, e as temperaturas ficaram mais de 4,6°C acima da média em determinados episódios. As medições mostraram ainda que parte desse calor permanecia abaixo da superfície, chegando a cerca de 40 metros de profundidade. Isso significa que observar apenas a temperatura da camada superior pode deixar de mostrar uma parte importante do aquecimento. No Mediterrâneo, 2024 teve o maior número de dias de ondas de calor marinhas das últimas duas décadas, e a temperatura média ficou 1,23°C acima da referência de 1982 a 2024. As mudanças, porém, não acontecem da mesma forma em todas as regiões. No Mediterrâneo ocidental, por exemplo, a elevação do nível do mar vem acelerando desde o início dos anos 2000. Na parte oriental, o comportamento foi mais irregular, mas a aceleração recente foi mais acentuada. Para Carlos García-Soto, pesquisador do Conselho Superior de Investigações Científicas da Espanha (CSIC), essa diferença é importante porque uma tendência global não determina, sozinha, o tamanho do impacto em cada costa. “As tendências globais indicam para onde o oceano está mudando; o risco muitas vezes é decidido em escala local”, afirmou García-Soto em comentário divulgado pelo Science Media Centre España. LEIA TAMBÉM: Super El Niño pode estar entre os mais intensos já registrados; veja o que esperar 'Ao me ver, chore': A história por trás das 'pedras da fome' da Europa ANTES E DEPOIS: imagens de satélite mostram efeitos da seca extrema na Europa Na prática, uma mesma mudança no oceano pode ter consequências muito diferentes dependendo da geografia, da infraestrutura e da exposição de cada lugar. O relatório usa como exemplo a tempestade Louis, que atingiu o sudoeste da Europa em fevereiro de 2024. Na costa atlântica da Espanha, as ondas passaram de oito metros em alguns pontos. Houve grandes transtornos no transporte, cortes de energia, problemas em dois portos e uma morte. Os pesquisadores compararam o que aconteceu em dois portos espanhóis. Em Langosteira, no noroeste do país, o episódio durou cerca de 33 horas. Em Tarragona, no Mediterrâneo, foi mais curto, mas mais intenso. Segundo a análise, diferenças na orientação dos portos e nas estruturas de proteção ajudaram a explicar por que os efeitos não foram iguais. Outro caso ocorreu na Finlândia, em novembro de 2024. Ventos persistentes empurraram a água para longe da costa e fizeram o nível do mar cair 153 centímetros na Baía de Bótnia, o menor valor já registrado no local. O episódio suspendeu o serviço de balsas por 18 horas. Nesse caso, os sistemas de previsão conseguiram antecipar a queda entre três e quatro dias antes, dando tempo para que portos e autoridades costeiras se preparassem. E as mudanças também são visíveis nas regiões polares.No Mar de Barents, no Ártico, a extensão do gelo marinho diminuiu 70% desde 1982. O aquecimento global está levando a Terra a um ponto crítico, principalmente no Ártico, onde os impactos das mudanças climáticas são ainda mais intensos. Kathryn Hansen/NASA Já na Antártida, o nível excepcionalmente baixo de gelo registrado em 2022 coincidiu com um fracasso reprodutivo em grande escala de colônias de pinguins-imperadores. O relatório também chama atenção para os pequenos países insulares, onde a economia, a infraestrutura e a vida das populações estão diretamente ligadas ao mar. Desde 1960, todas as áreas marítimas desses países analisadas pelo levantamento registraram aquecimento. Além disso, 65% de sua área oceânica conjunta esteve exposta a uma aceleração da elevação do nível do mar desde 1999. Quase 28% dessas águas abrigam recifes de coral classificados como vulneráveis, ameaçados ou criticamente ameaçados. Esses ecossistemas têm papel importante na pesca, no turismo e na proteção das costas. Justamente por isso, Pierre Bahurel, diretor-geral da Mercator Ocean International, instituição responsável pelo serviço marinho europeu, afirma que esses sinais precisam ser analisados em conjunto. “O oceano está se transformando diante de nossos olhos: aquecimento, elevação do nível do mar e degradação dos ecossistemas são sinais interligados de uma mudança significativa e de longo prazo”, afirmou. Fotógrafo do RS faz imagem incrível de cometa 'mais brilhante do ano'